A humanização das empresas de sucesso

Recentemente o editor de Política Econômica da Revista Forbes, John Tamny, abordou em sua coluna semanal sobre o livro The Soft Edge, de Rich Karlgaard, chamado “5 pilares organizacionais de sucesso que não podem ser copiados”.

Ao se deparar com o título, podemos imaginar que seriam as tradicionais fórmulas de agilidade, foco no consumidor, logística e etc. Mas ao contrário disso, o livro defende um olhar bastante diferenciado sobre aquilo que realmente não pode ser copiado dentro de uma organização de sucesso.

Os cinco pontos tem a ver com valores intangíveis relacionados à essência da empresa, sua filosofia, a preocupação constante nos seus funcionários, no que produz de relevante e diferenciado na vida de seus consumidores. São eles:

Trust (Confiança): esse é um dos principais fatores das empresas mais bem avaliadas pelos seus funcionários. A empresa precisa estimular e transmitir a confiança dentro e fora dela. Dentro dela, através da confiança entre líderes e liderados, entre times e demais áreas parceiras. E depois de construída a confiança interna desenvolve-se a relação com consumidores, investidores e parceiros;

Smart (Inteligência): nesse ponto é interessante a abordagem, onde a inteligência é considerada para além da sua capacidade intelectual. O que realmente faz a diferença é a junção de talento e atitude. Inteligência é a atitude de sempre buscar aprender e se desenvolver. E a empresa tem o dever de ajudar seus funcionários nesse desenvolvimento trazendo novos desafios e os ouvindo sempre;

Teams (Times): o desafio de construir times que se conectem emocionalmente com a empresa e seus desafios, e que sejam de alto desempenho. Construir isso cobrando e valorizando o desempenho e valorizando cada membro do time;

Taste (Gosto): aqui o ponto é a busca incessante para entender qual será o diferencial único e exclusivo de entrega de um produto. Existem tantos dados, tecnologias e fórmulas, mas a experiência que um produto vai entregar é o que distancia, por exemplo, a Apple de seus competidores. A provocação é sair da zona de conforto e desbravar novos sabores, vestir os sapatos do consumidor e buscar uma conexão única com o que a empresa produz;

Story (História): essa é a mais diferenciadora de todas de fato. Trata-se da história do que a empresa é e faz. As narrativas do passado que constroem o futuro. É trazer valor e humanizar a narrativa da organização como se fosse um indivíduo. Construir relações não mais empresas-consumidores, mas pessoas-pessoas.

Para o colunista John Tamny e o escritor Rich Karlgaard, esses são pilares fundamentais para uma visão de longo prazo de um negócio, constituindo assim caminhos para humanização das empresas. As relações puramente comerciais se enfraquecem num mundo cada vez mais competitivo. O olhar para as pessoas e para os consumidores muda de perspectiva.

Os funcionários deixam de ser máquinas de produção para serem valorizados por aquilo que pensam, acreditam e transformam. O mundo da informação está na internet, mais acessível do que nunca, e a capacidade de transformar, a atitude, não tem livro ou receita para aprender.

Estamos em transformação: transformação de skills (habilidades), de competências que passarão a ser valorizadas pelas organizações e transformações daquilo que produzimos, pensando no que o produto ou serviço trará de relevante para a vida das pessoas.

Fonte: Revista Meio e Mensagem, Coluna Ponto de Vista – Andrea Dietrich (gerente executiva de marketing da BRF).