Aula Aberta: A crescente importância da Gestão de Marketing – Prof.ª Cláudia Buhamra

A palestra intitulada A Crescente Importância da Gestão de Marketing, proferida na Escola Superior de Tecnologia e Gestão do IPL – Instituto Politécnico de Leiria, em Portugal, teve como foco a teoria e a prática do marketing, as forças de mercado que tornam o marketing indispensável, e as atitudes e os comportamentos individuais que orientam o marketing organizacional.

Passando por Neil Borden (Década de 40), Jerome McCarthy (Década de 50), Theodore Levitt (Década de 60) e Philip Kotler (Década de 70), é fácil perceber que o marketing é uma teoria sólida, com princípios e ferramentas estruturados, que orientam a gestão das empresas na criação de mercado, e na conquista de clientes e admiradores.

Profa. Cláudia Buhamra em aula aberta em Escola Superior de Tecnologia e Gestão do IPL – Instituto Politécnico de Leiria, em Portugal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quanto à prática do marketing, dois empresários, dentre inúmeros, ratificam o que diz a teoria: Jefrey Bezzos, fundador da Amazon, apontado em 2011, pela Harvard Business Review, como o 2o melhor CEO do Mundo, e Walt Disney, cuja empresa ainda é referência em qualidade e inovação em serviços. Bezzos, afirma que “é ponto pacífico que, se colocarmos o cliente em primeiro lugar, outras partes interessadas também sairão ganhando”. E completa: “Quando a coisa fica complicada procuramos simplificá-la. Como? Perguntando o que é melhor para o cliente. Contratamos gente que já desperta pela manhã pensando em como inventar algo bom para o cliente”. Disney, por sua vez, afirmava que “se mais pessoas em mais empresas tivessem dedicação real aos seus clientes, suas empresas seriam mais lucrativas e seus empregos estariam mais seguros”. Os dois empresários, representando épocas e negócios distintos, atestam a importância do foco no cliente, princípio máximo de toda teoria mercadológica.

É possível que a adoção das práticas de marketing nasça do desejo legítimo de empresários e empregados. Entretanto, na grande maioria das vezes, vem do mercado as pressões para tal adoção, principalmente do consumidor, hoje mais bem informado, com menos renda disponível e muito mais exigente. Em uma pesquisa realizada pelo Instituto Akatu, em 2012, duas práticas empresariais foram apontadas como as mais negativas pela maioria dos 800 entrevistados, com mais de 16 anos, de 12 capitais e regiões metropolitanas do Brasil: ter produtos que podem causar danos à integridade física dos seus consumidores (72%) e fazer propaganda enganosa (71%). Por outro lado, cinco ações organizacionais foram apontadas como motivadoras da preferência ou admiração do consumidor: não maltratar animais (52%), ter boas relações com a comunidade (46%), ter selos de proteção ambiental (46%), ajudar na redução de consumo de energia (44%) e ter selo de garantia de boas condições de trabalho (43%).

Independente da origem da força motivadora para a implantação de uma cultura mercadológica, é necessário atitude e comprometimento de todos os indivíduos que fazem a organização. Como afirma Teodore Levitt, em seu célebre texto Miopia em Marketing, “é evidente que a formação de uma companhia com eficiente orientação para o cliente exige muito mais do que boas intenções ou truques promocionais; exige conhecimento profundo de questões de organização humana e liderança”.

Voltar-se para o cliente, portanto, não é apenas uma decisão gerencial, mas uma decisão pessoal, individual, em que cada colaborador internaliza a necessidade de servir ao cliente, ao mercado, à sociedade.